Teclas pensadas entre finos e cigarros numa qualquer esplanada.

19/06/2009

Uma Fotografia

Hoje dei por mim a fazer uma revista dos últimos quatro anos da minha vida. Dei por mim a ver fotos que já não via quase há tanto tempo quanto elas têm de vida. Por mais cliché que possa parecer, e é, o tempo passa a correr. Mas o que realmente me motivou a escrever mais este breve texto é o poder da fotografia. É inacreditável como uns míseros píxeis (ou lá do que raio são compostas as fotos), organizados com exclusiva preocupação de, com as suas cores, retratar fielmente o momento em que o 'click' se deu podem despertar tantos sentimentos. Ao rever cada uma daquelas fotos ri-me, senti-me nostálgico, senti o peso do tempo passado, senti que cresci e estou diferente. Senti cada foto (que ao fim e ao cabo é uma coisa) da mesma forma que senti aqueles momentos, com a mesma emoção. Senti, obviamente, saudade. Senti que tenho os melhores amigos do mundo.


Comemorando-se hoje o Baile de Gala da Escola Secundária de Pombal, fica a recordação, em 2007, foi assim, e foi muito bom. (Na foto, Diogo Martins, Michael Lopes, Rui Gameiro, Class of 07!)

15/06/2009

Estudar

Estava a estudar, e como é óbvio, nesses momentos o meu espírito pode estar em qualquer sítio excepto no sítio onde devia estar: concentrado nos livrinhos que estão à minha frente. E num desses momentos de singela reflexão cheguei à conclusão que o estudo me prostitui. Sempre que acordo e penso que tenho que estudar, sinto me deveras fodido e quando vou para a cama depois de um dia de estudo, mais fodido me sinto. Concluindo, em época de exames, estou sistematicamente fodido, que nem uma bela puta. Fica a reflexão! :)

13/06/2009

Equação dos Exames

Duas Semanas + Anatomia II + I.M. II + B.C.M. II + Bioquímica II + Biofísica + Sociologia Médica = (Exames em Recurso - Bodo 2009)

05/06/2009

Eleições Europeias e Ignorância

'Eu vou levar este galo para Bruxelas porque tem nele escrito a missão a que me proponho no Parlamento Europeu: dar Tudo Por Portugal.'
E foi assim que, depois de decorar um Galo de Barcelos com o slogan do CDS, Nuno Melo, cabeça-de-lista do referido partido ao Parlamento Europeu cometeu a mais bela gaffe da campanha, pelo menos na minha opinião. É que eu posso não perceber muito de política europeia, mas Sr. Deputado Nuno Melo, o Parlamento Europeu, tem a sua sede em Estrasburgo, França.
Fica o singelo reparo.

31/05/2009

Sinto Muito

Li Sinto Muito, de Nuno Lobo Antunes, nascido e criado no seio de uma das mais brilhantes famílias portuguesas. Nuno Lobo Antunes é médico, Neuro-Oncologista Pediátrico, e lida com a morte diariamente. Lida com a morte, mas na sua forma mais cruel. A morte precoce, a morte antes do tempo. A morte quando ainda não era suposto. Quando ainda havia muito para ver, sentir, viver, experienciar. A perspectiva que Nuno Lobo Antunes nos proporciona não é a perspectiva do médico que debita casos interessantes com que se deparou nos vários anos de exercício. Ao invés, mostra-nos o lado mais humano da Medicina, o lado mais nobre. O sofrer com cada caso. Cada paciente deixar de ser o simples número na sua ficha e passar a ser o João, o Mário, a Maria, a Joana, pessoas que passam a ser família. Diga-se de passagem que o bom médico, aquele que é atento e preocupado, que se envolve sentimental e inevitavelmente com o sucesso dos seus doentes acaba por passar mais tempo com eles do que com a própria família, muitas vezes. Nestas condições, a ligação emocional é óbvia e salutar. Somos bichos sociais, como sempre ouvi dizer. E haverá forma mais nobre de o ser, senão quando o semelhante mais necessidade tem de um ombro, uma palavra, um sorriso? Creio que não.
Como relata António Damásio, que prefaciou o livro, as palavras escolhidas por Nuno Lobo Antunes, Sinto Muito, são profundamente diferentes de um simples Lamento. Sinto Muito. Sinto. Sinto dentro de mim. Por mais que ande, tente esquecer, sinto, e não o consigo evitar. Mas para além de sentir, sinto muito. Sinto muito a tua ausência depois de tantos dias, meses a acompanhar a tua luta. Que merecias vencer, por tudo o que superaste.
É este tipo de sentimento que desperta a leitura, conseguindo compreender a angústia do médico vocacionado para a ajuda ao próximo, a dor provocada na perda, sentida com tanta intensidade como se uma parte de nós morresse. E depois a pedagogia. Como tornar a dor o mais suportável possível, como lidar com ela, como olhar em frente, mas com o peito gravado por todos aqueles que inevitavelmente conosco permanecem. Deixo um excerto abaixo e recomendo a leitura. Principalmente a presentes e futuros médicos. Sem dúvida, uma lição.
"Lembro-me bem do dia em que nos vimos. Terminara a adolescência, puzzle acabado de fazer, pintura de bocadinhos perfeitos, encaixados uns nos outros. Olhar sem sombras, sorriso sem ironias. Não vinhas sozinha, claro. Como princesa, uma corte de família, adorada pelos adultos, que em ti viam reflectida a imagem da graça. Sempre achei que te anunciavam aqueles tubinhos chineses, que tilintam, com as brisas, com o fresco.
E no entanto, fui obrigado a conversas sérias. Falar de cancros, do cérebro, suas manias e hábitos. Escrevi para a Universidade para garantir descontos. Assegurar a professores que o teu coração valia vinte. Que desculpassem falhas e faltas, que aquela menina estava doente.
Portaste-te bem nos primeiros tempos. O tumor retirou-se envergonhado, que não tinha sido convidado. Mas ficou à espreita, o pirata. E tu distraíste-te filha. Não nos podemos distrair. E surgiu de novo o malandro, fazendo pirraças, dedos em leque na ponta do nariz. E avançou mais um pouco. Instalou-se na tua sala de visitas, bebeu copos, fumou charutos, tomou conta. Invadiu. Juro que não lhe dei licença. Gritei: «fora, fora», enxotei-o com toda a força. O vadio riu-se de mim, fez-me manguitos, mostrou os dentes.
Há coisas que se não fazem a quem tem vinte anos. (...) Gostava tanto de ti. E ofereci-te dois venenos. Jurei que com mezinhas viverias mais dois anos, e depois dirias adeus às praias, aos teus cães, aos namorados. A alternativa, assegurei, era o transplante. Tratamento arriscado, envenenamentos sucessivos com peçonhas e sucos. (...)
Foste pensar. (...) Disseste que sim. Que eras criança, e que do teu lado estariam fadas e duendes, cavaleiros andantes de armaduras reluzentes. (...)
Foste-te embora à deriva. (...)
Chorei tanto, Jennifer, tanto. Olha, chorei tanto que os teus pais tiveram pena de mim. Verdade! Pegaram-me no braço, beijaram-me na face. E eu, minha querida, perdido. Perdido de dor e de remorso. E de saudade. Não sei se sabes o que é um poço. Um poço é o inferno, o lado de lá da vida. O escuro, a falta de ar. Preciso de sol para gostar da vida. Os teus pais, coitados, puxavam-me para cima e apanhavam bocados de mim, espalhados pelas pedras da igreja."
E sente-se cada lágrima derramada pelo autor. Mais uma vez, uma lição.

29/05/2009

O "Caso Alexandra"

Depois de ver nas várias agências noticiosas nacionais peças sobre este caso fiquei em dois estados adjectivamente qualificáveis: destroçado e curioso. Destroçado, por ver a pobre Alexandra, de 6 anos, note-se, a ser arrancada à única família digna desse nome que alguma vez tinha conhecido, num degradante espectáculo mediático (degradante, mas que não deve ser censurado, digo eu). Por outro lado, e como referi, a minha curiosidade foi desperta, no sentido de acompanhar os desenvolvimentos. Depois do chamado Caso Esmeralda, pensei que se tivesse despertado uma maior consciência, por um lado, social (com a coisa das 200.000 assinaturas entregues no parlamento pela Dra. Maria Barroso), por outro, jurídica (se é que se pode a expressão consciência jurídica, mas como qualquer leigo, dou-me ao luxo de inventar). Se a primeira consciência acredito que tenha florescido entre nós, penso que a segunda continua de mãos atadas por uma Legislação que não permite decisões menos punitivas para os únicos inocentes, as crianças, exilando-as, em dias de festa, na Rússia. Contudo, continuo a ser um leigo a mandar bitaites sobre Legislação.

Mas o que realmente me traz a este convívio é uma simples frase proferida num debate subordinado ao mesmíssimo tema que este breve texto, que vi na sequência do espicaçar da minha curiosidade.

Na passada quinta-feira, após o Jornal da Noite da SIC, atentei ao programa Aqui e Agora, que como sabem, consta de um debate sobre temas da actualidade, moderado por Rodrigo Guedes de Carvalho. Para além dos pais afectivos da criança, estavam presentes no estúdio o advogado Rogério Alves, o psicólogo Eduardo Sá, a Presidente do Instituto de Apoio à Criança, Manuela Ramalho Eanes e o Presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho. E foi este o dono da preciosidade que relato.

Justificando o acima referido degradante espectáculo mediático, aquando da entrega da Alexandra à mãe biológica - estando esta literalmente aos gritos e a chamar pelo pai afectivo - o Dr. Edmundo Martinho disse o seguinte:

"Eu tenho que dizer alguma coisa, porque obviamente as imagens que vimos no início são imagens que nos chocam a todos, mas as imagens que vimos corresponderam a uma situação que não correspondeu àquilo que estava acordado. O acordo que estava feito entre os advogados de ambas as partes - o advogado do lado da mãe da criança e o advogado da Sra. Dona Florinda e do Sr. João Pinheiro - era que fariam a entrega entre ambos às 8h30 da manhã. Para evitar toda esta perturbação que se gerou."

E eu concluo que este senhor é apologista de que o que os olhos não vêem, o coração não sente. Entregava-se a criança de manhãzinha, com toda a gente ainda a dormir, porque se ninguém visse, ninguém levantava a voz. Escandaloso, digo eu! Lembrou-me um pouco o Provedor da Casa Pia, Luís Rebelo, à data do escândalo, referindo que se existia em centenas de profissionais apenas um pedófilo, não seria relevante em termos estatísticos. Enfim.

P.S. (1): Nota humorística para o facto de o Sr. João Pinheiro, pai afectivo da pequenina, ainda viver uns bons anos atrás, a julgar pelos seus conhecimentos de Geografia, tendo referido no mesmo espaço televisivo, e cito, "(...) e vou-te espetar lá pr'á União Soviética e depois eles que se entendam!".

P.S. (2): Para quem perdeu ou quiser rever o debate, ele encontra-se aqui.

23/05/2009

Viagens IV

Lisboa

O que Lisboa ganha em História, perde em delinquência. Sublinho a pena que é disfrutar de uma esplanada mergulhada na vista sobre o Tejo e Cristo-Rei (uma das mais belas vistas que já vi), a escassos metros de um banco ocupado por jovens na 'má-vida', ruelas pintadas simultaneamente com a História de centenas de anos e com a tinta de latas de spray. Apesar disso, uma cidade muito bonita e a revisitar.


Beyoncé

De longe a melhor parte da viagem (pelo menos em termos estéticos)!


Bairro Alto

Depois de tanto ouvir falar, a minha conclusão é que são necessárias várias visitas para conhecer efectivamente a noite que aí se vive, uma vez que uma é insuficiente. Esta última frase será válida não só para o Bairro, mas para o resto da cidade.