Teclas pensadas entre finos e cigarros numa qualquer esplanada.

25/09/2009

Coimbra III

Semana interessantíssima rodeado de boa gente, em clima de saudável convívio e um brinde a mais um ano. Venha o melhor dele e raios para os momentos menos bons.

10/09/2009

Viagens V e a Depressão Pós-Férias

O tempo passa, composto por momentos bons e momentos maus. Na escala de felicidade, os últimos dias atingiram níveis altíssimos, provocando uma óbvia apreensão em relação aos vindouros.

Roma é uma cidade milenar duas vezes. Caminhar em Roma é presenciar a História a cada passo, é imaginar os pés que mudaram o curso da História a pisar as mesmas pedras que pisamos, é sentir o Homem a desafiar as leis universais, a tentar a perfeição e a olhá-la cada vez mais olhos nos olhos. É passear no Colosseo e pensar nos milhares de pessoas que aí perderam a vida na busca do entretenimento macabro do Império Romano. É percorrer a Basílica de São Pedro pensar no poder de uma das maiores organizações mundiais com a sua fundação meramente baseada em crenças. É olhar para a Fontana di Trevi e experimentar os sentimentos que o simples som da água a cair pode provocar.

Roma com oito amigos é partilhar uma experência memorável. É combinar o convívio com as pessoas que mais nos dizem com tudo o que foi descrito atrás. É sentir tudo o que Roma sugere e poder partilhá-lo com os ouvidos mais dispostos a ouvi-lo. É compatibilizar nove sensibilidades diferentes num ambiente distinto do habitual e sair com um sorriso. É estar duas dezenas de horas em viagem e rir à gargalhada em vez de manifestar o cansaço com compreensível má-disposição. É marcarmo-nos uns aos outros para sempre. É escrever uma página da história das nossas vidas para sempre.

Por mais que os nossos caminhos divirjam no futuro, estes dias passados em estreitíssima convivência vão seguir as nossas existências até aos últimos dias. Por mais viagens que façamos, por mais vezes que possamos ir a Roma, recordaremos sempre aqueles dias em que, pela primeira vez, viajámos para longe de casa com os nossos amigos da altura. Pelo menos eu sinto assim.

Quanto à apreensão no futuro depois de dias tão perfeitos, chamemos-lhe depressão pós-férias, chamemos-lhe o que quisermos, esta é compreensível, e eu, desde sempre que a senti. Racionalmente é claramente estúpida, mas os sentimentos terão alguma vez sido racionais? O fim de uma etapa implica certamente esta nostalgia do passado, e será isso que torna cada etapa distinta de todas as outras e nos permite recordá-las para sempre.

Começa uma altura de trabalho, por oposição aos dias despreocupadamente prazerosos que passámos. Que se ouça o tiro provocado pela explosão do Champagne e que este licor a jorrar nos copos da vida nos faça brindar a um futuro que promete ser preenchido de vitórias, derrotas, aprendizagens e tudo o mais, mas no final das contas, sempre positivo.

Obrigado por tudo, canalha!

27/08/2009

Michael e o Sistema Judicial I

Michael Lopes foi assaltado à coisa de 5 meses, mais coisa, menos coisa. Um indivíduo qualquer (chamemos-lhe "X") abeirou-se dele. Escusando-nos a pormenores profundamente desinteressantes respeitando à abordagem e ao modus operandi da coisa, o importante é que um telemóvel até aí da posse de Michael passou a ser pertença de X (mais pormenores neste post).
Tudo ficou resolvido na cabeça de Michael com a substituição do telemóvel subtraído, com a excepção do óbvio trauma.
14h00. Toca o telefone. Foi requerida a presença de Michael na Esquadra de Pombal da PSP. Ao que parece o pobre telemóvel desaparecido, desgostoso por Michael não ter tomado todas as providências e ter ido ao fim do mundo para o encontrar, voltou para o tramar.
Passando a descrever a trama: X assalta mais uma vítima (chamemos-lhe "Zé") na sua caminhada de terror pelo maravilhoso mundo da delinquência. Porém, dotado de testículos bem mais recheados que os de Michael, Zé resiste, corre, luta, e consegue valoroso prémio: a mala/pochette de X (referência para o uso da palavra pochette e ainda para o facto de X, apesar de bandido, usar tal acessório de moda, não pela relevância de tais factos, só mesmo pelo quanto são divertidos). Mas adiante. Na mala/pochette de X, Zé encontra um objecto, a saber, o ex-telemóvel de Michael. Zé apresente queixa. Zé é um indivíduo exigente. Insatisfeito com o troféu que conseguiu, pretende mais. Pretende apanhar não só a mala/pochette de X, quer X numa travessa a gritar misericórdia. Na sequência da investigação promovida pelo CSI à portuguesa, chega-se à conclusão que o telemóvel encontrado está no nome de Michael.
Turn-over na trama! Os investigadores do CSI da PSP suspeitam que X e Michael Lopes são uma e a mesma pessoa. Conclusão fácil de compreeder.
  • A mala/pochette encontrada é de X.
  • O telemóvel amaldiçoado está na mala/pochette.
  • Logo, o telemóvel é de X.

No entanto, a vida real é, infelizmente, muitíssimo mais complexa. Michael é chamado a depôr. Primeiro na qualidade de testemunha. Mas na cabeça do agente que conduz a entrevista (chamemos-lhe desta feita "Agente Marcelo") a situação é clara: à sua frente irá surgir-lhe perigoso fora-da-lei, um indivíduo sem sentimentos, que dedica a sua vida ao crime, entre dois goles de whisky e noites tórridas de sexo com mulheres de seios torneados, atraídas pela adrenalina da vida deste. E depois aparece Michael. A desilusão é óbvia, estampada na cara de Agente Marcelo. Ou os bandidos modernos têm um metro e sessente e pouco, ou esta vai ser uma tarde monótona. A suspeita cai por terra. Ou por X ter 20 e tal processos em aberto, ou por Michael ter imediatamente pedido piedade e ter justificado o brutal assassinato das melgas que povoam a sua morada com o picotado que preenche o seu corpo e lhe provoca uma terrível comichão. Adiante. Gorada a hipótese de brincar aos polícias a sério, com murros na mesa e em Michael numa sala sem janelas, Agente Marcelo começa a preencher o depoimento. Luta por conseguir traduzir em palavras o que o relato mirambolesco que Michael partilha com ele lhe sugere. Terminadas as formalidades, Michael despede-se de Agente Marcelo com um aperto de mão e a certeza de um reencontro com semelhante figura de autoridade em Coimbra, onde o mítico assalto ocorreu.

Michael sai da esquadra. Os seus membros tremem. A sua primeira vez com o sistema judicial foi tão intenso quanto sonhara. É testemunha num Processo-Crime. E ao ritmo a que pula e avança a Justiça do país em que vive, mais capítulos povoarão o futuro de Michael na sequência do já badalado Crime do Avenida na Sá da Bandeira.

Enfim, acontece-me tudo...

18/08/2009

As Máscaras

É difícil definir-se. É fácil a análise forasteira. É difícil vestir a pele que de nós esperam e estar à altura dela, seja ela qual for. Todos nos disfarçamos. Ninguém é genuíno. O disfarce que vestimos é um fardo. Torna-se aquilo que somos sem nunca o sermos. E nunca mais pode ser despido. Todos os dias o vestimos e tentamos torná-lo o mais perfeito possível. Espera-se de nós que ele seja cada vez mais trabalhado. Mas porquê? Seria tão mais fácil podermos ser nós mesmos, sem máscaras, sem nada. Mas será possível? A vida é um reles truque de ilusionismo. Tentamos ser todos mais bonitos e correctos que realmente somos. Mas qualquer ilusão só existe até se desvendar o seu segredo. E com o tempo a ilusão cai. Todos caímos. Todos temos fraquezas e elas acabam sempre se mostrar. Basta olhar com atenção. E perdemos o mistério. Qualquer piada só tem relamente graça uma vez. Quanto mais recorrente, mais gasta. E a cada dia nos gastamos. Aos nossos olhos, que são sempre os que mais abarcam, e inevitavelmente aos dos outros. Perdemos o encanto do primeiro dia, tornamo-nos repetitivos e vulgares. Tornamo-nos previsíveis e perdemos o encanto. O nosso nome passa a ser mais um e não o nome. Tentamos tornar-nos únicos e passamos a vida a sublinhar que somos irrepetíveis. Mas a verdade é que somos todos iguais. Inventamos línguas, credos e regras para nos diferenciarmos quando na verdade, despidos de tudo, nada nos distingue. Fazemos as mesmas coisas. Somos rotineiros. Tirando todas as máscaras todos somos iguais. O rico come, o belo bebe. O pobre e o feio idem. Da mesma forma ridícula, seja com as mãos ou com talheres de prata. Da boca para a frente o caminho é o mesmo e nos dois acaba em merda. Inventamos palavras para nos afastarmos e sermos o mais exclusivos possíveis. O rico tem uma mansão, o pobre uma barraca. Mas em última instância, ambas servem o mesmo prepósito. Todos morremos e acabamos comidos pela terra. Com a mesma dignidade (ou falta dela). Duvido que os bichos tenham o cuidado de saborear melhor a carne do geneticamente abençoado do que a do fisicamente repugnante. Não sabendo muito bem como acabar o que sabe-se lá como começou, talvez um ponto final sirva.

22/07/2009

Sensodyne

Sensodyne. Recomendado por Dentistas.

É que neste anúncio televisivo nem se dão ao trabalho de pôr aquelas estatísticas dos 8 em 10 dentistas ou assim. Não. Só mesmo Recomendado por Dentistas. Isto dá um bocado a sensação que o facto de serem dentistas a recomendar é irrelevante. Que um 'Sensodyne. Recomendado por Mecânicos Chapeiros.' ou um 'Sensodyne. Recomendado por Astronautas.' encaixava igualmente na perfeição (quarenta anos da alunagem em Julho de 1969!). Se bem que às tantas é capaz de resultar melhor que os dos 9 em 10 médicos ou farmacêuticos. Porque a mim, esses anúncios deixam-me a pensar é no que o décimo inquirido viu no produto que inviabilizou o seu apoio...
É, é capaz de ser melhor dizer só Recomendado por Dentistas. Nem que seja o dentista lá da esquina que mora na Carrapichana e dá consultas num terceiro andar abaixo do rés-do-chão, numa cave sem saneamento. Já venho, vou comprar um tubinho de Sensodyne Pró-Esmalte. Até logo.


14/07/2009

A Ironia dos Jogos da Lusofonia

Enquanto praticava o desporto mais famoso do mundo sedentário - o zapping - e passei pela RTP1, estava a passar o jogo Portugal X Moçambique, relativo à 2ª jornada do torneio de futebol da 2ª edição dos Jogos da Lusofonia, competição que visa premiar os melhores talentos desportivos do mundo lusófono. Não pude, todavia, deixar de reparar que no canto superior esquerdo da televisão, onde se exibe o estado do marcador do jogo, bem como o esgotar do tempo de jogo, se lia o seguinte:

  • POR 0 - 0 MOZ 64:29

Ora, o que me causou mais estranheza não foi o facto de a selecção portuguesa (ainda que de sub-21) continuasse sem marcar golos ao segundo jogo, após defrontar duas potências futebolísticas mundiais, a saber, Cabo Verde (com quem perdeu 1-0) e Moçambique, nem tão pouco o facto de na equipa portuguese pontificarem nomes como o guarda-redes Trigueira, o central Bura ou o avançado Licá. Não. O que me deixou maravilhado, foi o facto de no marcador aparecer MOZ como abreviatura de Moçambique. Nuns jogos de exaltação do mundo lusófono, é curioso que o nome de um país apareça com a respectiva abreviatura inglesa.

Fica o reparo. Daqui a três anos podiam chamar à competição Lusofonic Games 2012 ou qualquer coisa do género.

13/07/2009

O Dente do Siso

Sim, caros (3) leitores. Está neste preciso momento a crescer-me o dente do siso, desabrochando lentamente como as coisas importantes, rupturando sem dó o meu frágil maxilar. Este simples (e doloroso) facto trouxe-me ao vosso convívio. Mesmo quando começei a pensar que me livrara de dentes a cair e afins (que muita chatice dão nos 10 aninhos), aparece-me este bandido a gritar "Pensavas que não vinha, né?". Mas veio mesmo.

De qualquer forma este post é de cariz meramente informativo, uma vez que aprecio partilhar estas pequenas preciosidades do meu dia-a-dia, como este culminar da minha transição do mundo dos adolescentes ao mundo dos jovens-adultos (nome bonito, já agora, muito numa de 'nãooo, ainda não sou adulto! Sou jovem-adulto! A ver se consigo prolongar estes anitos mais um bocadito...').

Ficam só umas fantásticas a valiosas curiosidades sobre este dentinho lindo, do siso, ou pomposamente, terceiro molar.

  • Com a cada vez mais diminuta necessidade de usar os dentes para cortar alimentos devido à criação de utensílios de corte, estes dentes encontram-se em vias de extinção, tendo sido muito útil, todavia, ao Homem pré-histórico;
  • A arcada maxilar tem vindo a diminuir de tamanho devido à inutilidade deste dente falhado, causando o seu aparecimento problemas às pessoas fixes e crescidas a quem ele aparece (como eu) porque:
  1. Empurra os outros dentinhos, uma vez que, como qualquer molar, quer o seu espacinho;
  2. Se encontra em local de difícil higienização pudendo causar infecções.

Para evitar os problemas acima descritos, impõe-se um problema maior ainda, que implica arrancar este dentinho malfadado, o que, efectivamente, dói. E a dor provoca-me sofrimento. E eu não gosto de sofrer. Logo não gosto do meu (ainda singular) dente do siso. Premissas verdadeiras, conclusão acertada!

E pronto. Era isto que queria dizer. Bem-hajam, caros visitantes.

P.S.: Atentem na mudança do provérbio popular no canto superior direito, que me parece de assinalável verdade.