Teclas pensadas entre finos e cigarros numa qualquer esplanada.

14/03/2010

Ui!

E já lá vai um tempinho desde que parei neste apeadeiro. De facto, desde a última vez que aqui deixei umas palavrinhas, muito sucedeu. Ora vejamos:
  • O Natal (como tem sido hábito, a 25 de Dezembro);
  • Virou-se a página a 2009 (dia 31 de Dezembro à noite);
  • Brindou-se a felicidade dobrada em 2010 (dia 1 de Janeiro de madrugada);
  • Começou a época de exames e coincidência ou não, tremeu a terra no Haïti (dia 12 de Janeiro);
  • O meu Diogo chateou-se e foi engatar suecas para bem longe de Coimbra (saibam tudo aqui);
  • Acabou-se a época de exames (19 de Fevereiro);
  • A Madeira inundou (dia 20 de Fevereiro);
  • O Chile tremeu (dia 27 de Fevereiro).

(anexei datas não me fosse enganar, até porque este blog prima pelo rigor).

Dissecando todos estes acontecimentos, uns serão mais interessantes que outros, como é óbvio, uns com mais a dizer, outros menos.

Mas uma coisa se realça. O que realmente salta à vista é a proximidade cronológica de eventos catastróficos à escala global com as datas que delimitam a minha época de exames. Será coincidência? É muito provável. Até porque se a solução para o fim de todos estes dramas globais fosse eu me enclausurar e estudar permanentemente, por muito que eu me preocupe com a Humanidade, também me preocupo com a minha sanidade mental, e essa sofreria um revés tremendo.

Referência ainda como é óbvio ao Diogo que coloniza por esta altura terras suecas (e não só terras, calculo...). Note-se que no outro dia, apesar do frio que se fazia sentir na "sibérica" Coimbra, resolvi sair com um casaco que este mesmo Diogo, na ânsia de fugir para o frio sueco, deixou para trás. E eu, munido deste mesmo casaco, em plena Associação, decido, após uma quantidade de finos situada entre os 5 e os 15, a qual não tenho dados para precisar, ir mijar (foi mesmo mijar, aqui não há dúvidas, lembro-me de pensar "Tenho que ir mijar, foda-se!"). E ao ver a minha urina descrever um turbilhãozinho e desaparecer no ralo do urinol para a vasta e eficiente canalização coimbrã, senti um aperto no peito e decidi ligar ao Diogo.

E esta é a forma que tenho de te homenagear e dizer que mal posso esperar pelo teu regresso para ouvir todas as tuas histórias...

E assim me despeço, prometendo voltar mais assiduamente a este espaço muito agradávelzinho.

05/12/2009

Viagens VI

Muse. Foi de longe o melhor concerto que tive oportunidade de ver.
Juntar toda a luz e cor da forma que se juntou naquele palco com aqueles músicos tornou dia 29 de Novembro à noite numa das mais memoráveis noites de sempre.
Muse não se parece com nada, não se encaixa em nada e creio que esse facto é que torna a sua música tão aplaudida transversalmente por várias gerações.

18/10/2009

Tenha um Óptimo Café Nicola

Um dia beijo-te a meio de uma frase.
Hoje é o dia!

Ou então não, mas gosto desta sabedoria de pacotinhos de açúcar.

25/09/2009

Coimbra III

Semana interessantíssima rodeado de boa gente, em clima de saudável convívio e um brinde a mais um ano. Venha o melhor dele e raios para os momentos menos bons.

10/09/2009

Viagens V e a Depressão Pós-Férias

O tempo passa, composto por momentos bons e momentos maus. Na escala de felicidade, os últimos dias atingiram níveis altíssimos, provocando uma óbvia apreensão em relação aos vindouros.

Roma é uma cidade milenar duas vezes. Caminhar em Roma é presenciar a História a cada passo, é imaginar os pés que mudaram o curso da História a pisar as mesmas pedras que pisamos, é sentir o Homem a desafiar as leis universais, a tentar a perfeição e a olhá-la cada vez mais olhos nos olhos. É passear no Colosseo e pensar nos milhares de pessoas que aí perderam a vida na busca do entretenimento macabro do Império Romano. É percorrer a Basílica de São Pedro pensar no poder de uma das maiores organizações mundiais com a sua fundação meramente baseada em crenças. É olhar para a Fontana di Trevi e experimentar os sentimentos que o simples som da água a cair pode provocar.

Roma com oito amigos é partilhar uma experência memorável. É combinar o convívio com as pessoas que mais nos dizem com tudo o que foi descrito atrás. É sentir tudo o que Roma sugere e poder partilhá-lo com os ouvidos mais dispostos a ouvi-lo. É compatibilizar nove sensibilidades diferentes num ambiente distinto do habitual e sair com um sorriso. É estar duas dezenas de horas em viagem e rir à gargalhada em vez de manifestar o cansaço com compreensível má-disposição. É marcarmo-nos uns aos outros para sempre. É escrever uma página da história das nossas vidas para sempre.

Por mais que os nossos caminhos divirjam no futuro, estes dias passados em estreitíssima convivência vão seguir as nossas existências até aos últimos dias. Por mais viagens que façamos, por mais vezes que possamos ir a Roma, recordaremos sempre aqueles dias em que, pela primeira vez, viajámos para longe de casa com os nossos amigos da altura. Pelo menos eu sinto assim.

Quanto à apreensão no futuro depois de dias tão perfeitos, chamemos-lhe depressão pós-férias, chamemos-lhe o que quisermos, esta é compreensível, e eu, desde sempre que a senti. Racionalmente é claramente estúpida, mas os sentimentos terão alguma vez sido racionais? O fim de uma etapa implica certamente esta nostalgia do passado, e será isso que torna cada etapa distinta de todas as outras e nos permite recordá-las para sempre.

Começa uma altura de trabalho, por oposição aos dias despreocupadamente prazerosos que passámos. Que se ouça o tiro provocado pela explosão do Champagne e que este licor a jorrar nos copos da vida nos faça brindar a um futuro que promete ser preenchido de vitórias, derrotas, aprendizagens e tudo o mais, mas no final das contas, sempre positivo.

Obrigado por tudo, canalha!

27/08/2009

Michael e o Sistema Judicial I

Michael Lopes foi assaltado à coisa de 5 meses, mais coisa, menos coisa. Um indivíduo qualquer (chamemos-lhe "X") abeirou-se dele. Escusando-nos a pormenores profundamente desinteressantes respeitando à abordagem e ao modus operandi da coisa, o importante é que um telemóvel até aí da posse de Michael passou a ser pertença de X (mais pormenores neste post).
Tudo ficou resolvido na cabeça de Michael com a substituição do telemóvel subtraído, com a excepção do óbvio trauma.
14h00. Toca o telefone. Foi requerida a presença de Michael na Esquadra de Pombal da PSP. Ao que parece o pobre telemóvel desaparecido, desgostoso por Michael não ter tomado todas as providências e ter ido ao fim do mundo para o encontrar, voltou para o tramar.
Passando a descrever a trama: X assalta mais uma vítima (chamemos-lhe "Zé") na sua caminhada de terror pelo maravilhoso mundo da delinquência. Porém, dotado de testículos bem mais recheados que os de Michael, Zé resiste, corre, luta, e consegue valoroso prémio: a mala/pochette de X (referência para o uso da palavra pochette e ainda para o facto de X, apesar de bandido, usar tal acessório de moda, não pela relevância de tais factos, só mesmo pelo quanto são divertidos). Mas adiante. Na mala/pochette de X, Zé encontra um objecto, a saber, o ex-telemóvel de Michael. Zé apresente queixa. Zé é um indivíduo exigente. Insatisfeito com o troféu que conseguiu, pretende mais. Pretende apanhar não só a mala/pochette de X, quer X numa travessa a gritar misericórdia. Na sequência da investigação promovida pelo CSI à portuguesa, chega-se à conclusão que o telemóvel encontrado está no nome de Michael.
Turn-over na trama! Os investigadores do CSI da PSP suspeitam que X e Michael Lopes são uma e a mesma pessoa. Conclusão fácil de compreeder.
  • A mala/pochette encontrada é de X.
  • O telemóvel amaldiçoado está na mala/pochette.
  • Logo, o telemóvel é de X.

No entanto, a vida real é, infelizmente, muitíssimo mais complexa. Michael é chamado a depôr. Primeiro na qualidade de testemunha. Mas na cabeça do agente que conduz a entrevista (chamemos-lhe desta feita "Agente Marcelo") a situação é clara: à sua frente irá surgir-lhe perigoso fora-da-lei, um indivíduo sem sentimentos, que dedica a sua vida ao crime, entre dois goles de whisky e noites tórridas de sexo com mulheres de seios torneados, atraídas pela adrenalina da vida deste. E depois aparece Michael. A desilusão é óbvia, estampada na cara de Agente Marcelo. Ou os bandidos modernos têm um metro e sessente e pouco, ou esta vai ser uma tarde monótona. A suspeita cai por terra. Ou por X ter 20 e tal processos em aberto, ou por Michael ter imediatamente pedido piedade e ter justificado o brutal assassinato das melgas que povoam a sua morada com o picotado que preenche o seu corpo e lhe provoca uma terrível comichão. Adiante. Gorada a hipótese de brincar aos polícias a sério, com murros na mesa e em Michael numa sala sem janelas, Agente Marcelo começa a preencher o depoimento. Luta por conseguir traduzir em palavras o que o relato mirambolesco que Michael partilha com ele lhe sugere. Terminadas as formalidades, Michael despede-se de Agente Marcelo com um aperto de mão e a certeza de um reencontro com semelhante figura de autoridade em Coimbra, onde o mítico assalto ocorreu.

Michael sai da esquadra. Os seus membros tremem. A sua primeira vez com o sistema judicial foi tão intenso quanto sonhara. É testemunha num Processo-Crime. E ao ritmo a que pula e avança a Justiça do país em que vive, mais capítulos povoarão o futuro de Michael na sequência do já badalado Crime do Avenida na Sá da Bandeira.

Enfim, acontece-me tudo...

18/08/2009

As Máscaras

É difícil definir-se. É fácil a análise forasteira. É difícil vestir a pele que de nós esperam e estar à altura dela, seja ela qual for. Todos nos disfarçamos. Ninguém é genuíno. O disfarce que vestimos é um fardo. Torna-se aquilo que somos sem nunca o sermos. E nunca mais pode ser despido. Todos os dias o vestimos e tentamos torná-lo o mais perfeito possível. Espera-se de nós que ele seja cada vez mais trabalhado. Mas porquê? Seria tão mais fácil podermos ser nós mesmos, sem máscaras, sem nada. Mas será possível? A vida é um reles truque de ilusionismo. Tentamos ser todos mais bonitos e correctos que realmente somos. Mas qualquer ilusão só existe até se desvendar o seu segredo. E com o tempo a ilusão cai. Todos caímos. Todos temos fraquezas e elas acabam sempre se mostrar. Basta olhar com atenção. E perdemos o mistério. Qualquer piada só tem relamente graça uma vez. Quanto mais recorrente, mais gasta. E a cada dia nos gastamos. Aos nossos olhos, que são sempre os que mais abarcam, e inevitavelmente aos dos outros. Perdemos o encanto do primeiro dia, tornamo-nos repetitivos e vulgares. Tornamo-nos previsíveis e perdemos o encanto. O nosso nome passa a ser mais um e não o nome. Tentamos tornar-nos únicos e passamos a vida a sublinhar que somos irrepetíveis. Mas a verdade é que somos todos iguais. Inventamos línguas, credos e regras para nos diferenciarmos quando na verdade, despidos de tudo, nada nos distingue. Fazemos as mesmas coisas. Somos rotineiros. Tirando todas as máscaras todos somos iguais. O rico come, o belo bebe. O pobre e o feio idem. Da mesma forma ridícula, seja com as mãos ou com talheres de prata. Da boca para a frente o caminho é o mesmo e nos dois acaba em merda. Inventamos palavras para nos afastarmos e sermos o mais exclusivos possíveis. O rico tem uma mansão, o pobre uma barraca. Mas em última instância, ambas servem o mesmo prepósito. Todos morremos e acabamos comidos pela terra. Com a mesma dignidade (ou falta dela). Duvido que os bichos tenham o cuidado de saborear melhor a carne do geneticamente abençoado do que a do fisicamente repugnante. Não sabendo muito bem como acabar o que sabe-se lá como começou, talvez um ponto final sirva.