Teclas pensadas entre finos e cigarros numa qualquer esplanada.

07/02/2011

Jornalismo Desportivo Português II

(...) Arrastava-se deprimente no mesmo tom: confuso e deprimido, os pés em brasa, o coração em sobressalto, desamparado até à medula, a afogar-se nas águas turvas das suas contradições e dos seus desalinhos, das fraquezas e dos seus abalos. (...)

Não, caros leitores, o título deste texto não é equívoco ou resultado de uma qualquer distracção minha. Este é um excerto da bela e valiosa-em-termos-literários forma com que o Jornal A Bola do passado sábado descreve as incidências do jogo que opôs o Sporting Clube de Portugal à Associação Naval 1º de Maio. Posto nestes termos, tudo isto parece ser a transcrição de alguma flash interview em que Manuel Machado tentaria transmitir a ideia de que o Sporting perdeu o meio-campo e, consequentemente, o controlo do jogo depois do terceiro golo da Naval. Mas não, caros leitores. O crédito destas palavras não cai em mim ou em Manuel Machado, mas sim em António Simões, cronista d'A Bola.

Ao Jornal A Bola, por saber escolher a dedo os seus cronistas, de entre possíveis vencedores do Prémio José Saramago, na sua vertente literária desportiva, e a António Simões, em particular, os meus sinceros parabéns e a certeza que nos encontraremos na gala que este blog organizará e que premiará os melhores na arte de escrever desporto.

Até à vista.

07/01/2011

Jornalismo Desportivo Português I

Na sequência da leitura do Jornal Record da passada terça-feira, dia 4 de Janeiro, resolvi que era chegado definitivamente o tempo de regressar a este espaço e abrir finalmente um espaço dedicado à espectacularidade do jornalismo desportivo.

A escrita jornalística desportiva portuguesa é, sem sombra de dúvida, a escrita mais criativa de todas. Capaz de colocar as metáforas de Saramago e a descrição queirosiana a um canto. A escrita jornalística desportiva portuguesa (sublinho desportiva e portuguesa) pavoneia-se nas bancas ostentando as notícias mais divertidas, encabeçadas pelos trocadilhos mais rebuscados do mundo. Todos, por mais desinteressados que sejamos da actualidade desportiva portuguesa, já começámos um dia qualquer com um sorriso na cara depois de passarmos por um quiosque e lermos qualquer coisa do género: “Moisés separa o mar de defesas encarnados para dar a vitória ao Braga”. Qualquer coisa deste género.

A edição da passada terça-feira era curisosa. Não era a mais rica em palermice de sempre. De todo. Não obstante, uma leitura cuidada permitia ao leitor atento reparar em duas notícias. Ambas divertidas. De formas diferentes, mas ambas muito divertidas. Veremos adiante. Nesse sentido, declaro solenemente aberta a rubrica Jornalismo Desportivo Português neste blog, em que serão premiadas as notícias mais divertidas, os títulos mais trabalhados, as notícias mais palermas, os respectivos autores e muito, muito mais. É com a convicção que este espaço será um sucesso que o inauguro, com a certeza de que, mais dia menos dia, será o motivo de uma celebração a acontecer no Pavilhão Atlântico (ou sala similar), entregando prémios nas categorias referidas e sendo alvo de análise na revista do ano que sempre nos entedia nos serviços noticiosos de Dezembro.


Eis as primeiras duas notícias merecedoras de destaque. Por motivos diferentes. Uma pelo seu título sugestivo, a outra pelo conteúdo em si. Sem mais demoras:

  • Prediger volta ao seu... Colón. (in Record).

Em jeito de nota esclarecedora, e iluminando o passado de Sebastián Prediger, informo que, antes de passear (pouquíssimo) a sua classe pelos relvados portugueses, Prediger jogou num clube que dá pelo nome de Club Atlético Colón, clube argentino com sede na cidade de Santa Fe. A notícia poderia ser perfeitamente normal, não fosse o autor colocar, de forma claramente prepositada e malandra, umas reticências antes do nome do clube para onde se transfere Prediger, sugerindo uma ideia que não consigo traduzir por palavras, mas conhecida de todos por este som.

  • Matraquilhos: Portugal no Mundial com sonho do 4.º lugar (In Record).

Já esta notícia não apresenta um título tão delicioso como a anterior, mas vale pelo conteúdo. Esta versava sobre, como o título sugere, o “sonho de trazer um resultado positivo do Mundial de Matraquilhos que se avizinha”, mas ainda da dificuldade de vencer “potências instaladas do mundo dos matraquilhos, como os Estados Unidos ou a França”. Hilariante.

Aproveito para desejar um bom ano a todos os três visitantes assíduos deste espaço.

Por hoje é tudo.

25/07/2010

Da Televisão e da Publicidade

Sou eu ou a publicidade está a perder completamente o pudor? Na minha pobre inocência vivi até há pouco tempo convencido que (tirando em horário nocturno, se é que me faço entender) na televisão todos tentavam estar no seu melhor, na melhor postura, temperada com inatacável corecção. Pensei que isto também fosse traço distintivo de quem, não aparecendo na televisão, escreve coisas para nela serem narradas.
Como a publicidade.
E sou eu, ou a a região do corpo povoada pelos conhecidos músculos glúteos tem estado em particular destaque e enfoque nos últimos tempos?
É que desde o Sapo que, pelos vistos, tem o melhor pacote do verão até à Panrico que jura a pés juntos que o seu pão fatiado tem a cara tão fofa como o cu, tem-se ouvido de tudo!
Ou realmente existe aqui um padrão, e agradeço a quem estuda o fenómeno do marketing que me esclareça sobre este foco apontado ao rabo, ou sou só eu que sou parvo e reparo nestas coisas. De qualquer das formas achei por bem partilhar.
P.S.: O anúncio da Panrico dá azo a trocadilhos engraçadíssimos! Nunca tinha pensado que quando o pão está a acabar lhe estou, de acordo com os profissionais da Panrico, a comer o cu.

11/06/2010

Bruna Real I

Bruna Real, a recentemente afamada professora de Mirandela, que foi afastada de funções após posar nua na edição portuguesa da conhecida revista Playboy, é mais do que uma moça de 27 anos com belas e grandes mamas de silicone. É também uma moça acéfala. Vá talvez não seja acéfala. Se calhar é só muito, muito divertida. Proponho, caro leitor, abrir aqui uma rubrica dedicada a Bruna Real, em que possamos analisar conjuntamente as suas belas declarações/piadas. A primeira edição desta que promete ser uma rubrica interessantíssima foca-se em Bruna Real e nos afectos que esta desenvolve.

  • Bruna Real e os Afectos
Os meus pais são o mais importante da minha vida. Não sei viver sem eles nem sem os meus apoiantes do Facebook. - Bruna Real, in Correio da Manhã, sobre o facto de ser presenteada pelo pai com um BMW X6.

E acerca deste BMW:

Quero todos os acessórios a que sempre estive habituada: estofos aquecidos, GPS integrado, MP3, sensores de estacionamento. Não sei viver sem eles, pois já fazem parte da minha vida. - Bruna Real, in Correio da Manhã.


Gosto muito destas declarações. Gosto muito da comparação entre a importância que dá a quem a pôs no mundo e aos milhares de nomes que povoam o seu grupo de fãs no Facebook (grupo que, aposto, surgiu duvido ao tamanho considerável das suas mamas). Gosto da importância que dá aos estofos aquecidos, ao GPS integrado, ao MP3, aos sensores de estacionamento, os quais já fazem parte da vida dela. É um grau de importância semelhante ao que se dá, por exemplo, a um vizinho muito mais novo que nós e que costuma vir pedir se podemos brincar com ele. Nós consentimos, e após alguns dias de convivência acabamos por nos afeiçoar à criancinha, como se de um irmão nosso se tratasse. É um pouco o que Bruna Real sente em relação aos estofos aquecidos. Teve um, dois, três carros com estofos aquecidos e acostumou-se. Agora estes estofos fazem parte da sua vida. E eu compreendo, falo por mim, adoro crianças! Quase tanto como gosto de um estofo bem aquecido...

No fundo, no fundo, compreendo estas declarações. Principalmente a primeira citação. Cá para mim ela não gosta muito dos pais. Ao fim e ao cabo não lhe deram as mamas com que sempre sonhou. Ele teve que as comprar... E agora os pais tentam comprar o perdão dela com BMW X6...


P.S.: Espero que o namorado desta bela professora não passe por aqui. Vi um foto do Sr. e até para fuzileiro o rapaz é grande...

09/06/2010

16 and Pregnant

Existe um reality-show na MTV que se chama 16 and Pregnant. Mostra como famílias lidam com a gravidez na adolescência dos seus membros. Tipo mães com filhas grávidas e assim. Descobri esta semana.

Chamem-me antiquado, mas eu, com 16 anos, numa situação dessas, não ia ter grande vontade de aparecer na TV.

Eu agora podia fazer uma dissertação humorística sobre este programa. Mas, sinceramente, acho que este texto já tem piada suficiente. Guess what! O cérebro deste programa e as famílias que participam são todos eles orgulhosos americanos estadunidenses. Big surprise...

03/06/2010

Da Selecção e dos Pura-Raça Lusitanos

Nestes dias em que as atenções se concentram na Selecção apelidada "de todos nós", tenho-me deparado com certos testemunhos que me levam a duvidar da justeza do referido termo.

Ao passar os olhos pelo record online, o qual frequento com alguma assiduidade, li em alguns comentários de leitores uma profunda desilusão e tristeza por Pepe ter recuperado a tempo de viajar para África, alegando que este nem era assim tão bom jogador e para além disso nem português era. Se a primeira alegação é de carácter subjectivo e cada qual terá a sua opinião sobre a maior ou menor valia do jogador, a segunda, para além de legalmente falsa, reveste-se de um comprido, duplamente forrado e quente casaco de estupidez.

Pepe é, como referi, legalmente português, depois de ter cumprido 5 ou mais anos de residência em território nacional e de todos os jogadores naturalizados que já vestiram a a camisola vermelha da Selecção (e já são alguns, contando com Bosingwa, Makukula e afins) foi o único que ouvi dizer que não admitia vestir outra camisola nacional que não a nossa, e isto numa altura em que já estava contratado pelo Real Madrid, o que lhe aumentaria as possibilidades de vestir a camisola canarinha, se assim o desejasse. Mas Pepe negou, dizendo que sendo convocado pelo Brasil, não compareceria. Note-se que recentemente até Yannick Djaló admitiu vestir a camisola da Guiné-Bissau devido à falta de oportunidades que tem sentido para chegar a Selecção...

Mas, e voltando ao que me trouxe novamente a este espaço, hoje ao ver o Primeiro Jornal, e ao assistir à notícia relativa aos Pura-Raça Lusitanos, lembrei desses comentários que li no record. Acho que quem defende que Pepe não é português deve ser coerente e dar o exemplo. Aconselho casamentos e acasalamento consanguíneo a todos eles! Mantêm a linhagem brilhante que caracteriza a respectiva família e não permitem nenhuma influência externa, por mais pálida que seja!

Pelos vistos um Raça-Pura Lusitano pode chegar aos 300.000€, uma moça descendente de três gerações em que pontificaram casamentos entre irmãos deve valer uma série de camelos em Marrocos!

Ou então não...

17/04/2010

Quotations I

If you're part of a crew, nobody ever tells you that they're going to kill you, doesn't happen that way. There weren't any arguments or curses like in the movies. See, your murders come with smiles, they come as your friends, the people who've cared for you all of your life. And they always seem to come at a time that you're at your weakest and most in need of their help.

Henry Hill (Ray Liotta) in Goodfellas, 1990.

14/03/2010

Ui!

E já lá vai um tempinho desde que parei neste apeadeiro. De facto, desde a última vez que aqui deixei umas palavrinhas, muito sucedeu. Ora vejamos:
  • O Natal (como tem sido hábito, a 25 de Dezembro);
  • Virou-se a página a 2009 (dia 31 de Dezembro à noite);
  • Brindou-se a felicidade dobrada em 2010 (dia 1 de Janeiro de madrugada);
  • Começou a época de exames e coincidência ou não, tremeu a terra no Haïti (dia 12 de Janeiro);
  • O meu Diogo chateou-se e foi engatar suecas para bem longe de Coimbra (saibam tudo aqui);
  • Acabou-se a época de exames (19 de Fevereiro);
  • A Madeira inundou (dia 20 de Fevereiro);
  • O Chile tremeu (dia 27 de Fevereiro).

(anexei datas não me fosse enganar, até porque este blog prima pelo rigor).

Dissecando todos estes acontecimentos, uns serão mais interessantes que outros, como é óbvio, uns com mais a dizer, outros menos.

Mas uma coisa se realça. O que realmente salta à vista é a proximidade cronológica de eventos catastróficos à escala global com as datas que delimitam a minha época de exames. Será coincidência? É muito provável. Até porque se a solução para o fim de todos estes dramas globais fosse eu me enclausurar e estudar permanentemente, por muito que eu me preocupe com a Humanidade, também me preocupo com a minha sanidade mental, e essa sofreria um revés tremendo.

Referência ainda como é óbvio ao Diogo que coloniza por esta altura terras suecas (e não só terras, calculo...). Note-se que no outro dia, apesar do frio que se fazia sentir na "sibérica" Coimbra, resolvi sair com um casaco que este mesmo Diogo, na ânsia de fugir para o frio sueco, deixou para trás. E eu, munido deste mesmo casaco, em plena Associação, decido, após uma quantidade de finos situada entre os 5 e os 15, a qual não tenho dados para precisar, ir mijar (foi mesmo mijar, aqui não há dúvidas, lembro-me de pensar "Tenho que ir mijar, foda-se!"). E ao ver a minha urina descrever um turbilhãozinho e desaparecer no ralo do urinol para a vasta e eficiente canalização coimbrã, senti um aperto no peito e decidi ligar ao Diogo.

E esta é a forma que tenho de te homenagear e dizer que mal posso esperar pelo teu regresso para ouvir todas as tuas histórias...

E assim me despeço, prometendo voltar mais assiduamente a este espaço muito agradávelzinho.

05/12/2009

Viagens VI

Muse. Foi de longe o melhor concerto que tive oportunidade de ver.
Juntar toda a luz e cor da forma que se juntou naquele palco com aqueles músicos tornou dia 29 de Novembro à noite numa das mais memoráveis noites de sempre.
Muse não se parece com nada, não se encaixa em nada e creio que esse facto é que torna a sua música tão aplaudida transversalmente por várias gerações.

18/10/2009

Tenha um Óptimo Café Nicola

Um dia beijo-te a meio de uma frase.
Hoje é o dia!

Ou então não, mas gosto desta sabedoria de pacotinhos de açúcar.

25/09/2009

Coimbra III

Semana interessantíssima rodeado de boa gente, em clima de saudável convívio e um brinde a mais um ano. Venha o melhor dele e raios para os momentos menos bons.

10/09/2009

Viagens V e a Depressão Pós-Férias

O tempo passa, composto por momentos bons e momentos maus. Na escala de felicidade, os últimos dias atingiram níveis altíssimos, provocando uma óbvia apreensão em relação aos vindouros.

Roma é uma cidade milenar duas vezes. Caminhar em Roma é presenciar a História a cada passo, é imaginar os pés que mudaram o curso da História a pisar as mesmas pedras que pisamos, é sentir o Homem a desafiar as leis universais, a tentar a perfeição e a olhá-la cada vez mais olhos nos olhos. É passear no Colosseo e pensar nos milhares de pessoas que aí perderam a vida na busca do entretenimento macabro do Império Romano. É percorrer a Basílica de São Pedro pensar no poder de uma das maiores organizações mundiais com a sua fundação meramente baseada em crenças. É olhar para a Fontana di Trevi e experimentar os sentimentos que o simples som da água a cair pode provocar.

Roma com oito amigos é partilhar uma experência memorável. É combinar o convívio com as pessoas que mais nos dizem com tudo o que foi descrito atrás. É sentir tudo o que Roma sugere e poder partilhá-lo com os ouvidos mais dispostos a ouvi-lo. É compatibilizar nove sensibilidades diferentes num ambiente distinto do habitual e sair com um sorriso. É estar duas dezenas de horas em viagem e rir à gargalhada em vez de manifestar o cansaço com compreensível má-disposição. É marcarmo-nos uns aos outros para sempre. É escrever uma página da história das nossas vidas para sempre.

Por mais que os nossos caminhos divirjam no futuro, estes dias passados em estreitíssima convivência vão seguir as nossas existências até aos últimos dias. Por mais viagens que façamos, por mais vezes que possamos ir a Roma, recordaremos sempre aqueles dias em que, pela primeira vez, viajámos para longe de casa com os nossos amigos da altura. Pelo menos eu sinto assim.

Quanto à apreensão no futuro depois de dias tão perfeitos, chamemos-lhe depressão pós-férias, chamemos-lhe o que quisermos, esta é compreensível, e eu, desde sempre que a senti. Racionalmente é claramente estúpida, mas os sentimentos terão alguma vez sido racionais? O fim de uma etapa implica certamente esta nostalgia do passado, e será isso que torna cada etapa distinta de todas as outras e nos permite recordá-las para sempre.

Começa uma altura de trabalho, por oposição aos dias despreocupadamente prazerosos que passámos. Que se ouça o tiro provocado pela explosão do Champagne e que este licor a jorrar nos copos da vida nos faça brindar a um futuro que promete ser preenchido de vitórias, derrotas, aprendizagens e tudo o mais, mas no final das contas, sempre positivo.

Obrigado por tudo, canalha!

27/08/2009

Michael e o Sistema Judicial I

Michael Lopes foi assaltado à coisa de 5 meses, mais coisa, menos coisa. Um indivíduo qualquer (chamemos-lhe "X") abeirou-se dele. Escusando-nos a pormenores profundamente desinteressantes respeitando à abordagem e ao modus operandi da coisa, o importante é que um telemóvel até aí da posse de Michael passou a ser pertença de X (mais pormenores neste post).
Tudo ficou resolvido na cabeça de Michael com a substituição do telemóvel subtraído, com a excepção do óbvio trauma.
14h00. Toca o telefone. Foi requerida a presença de Michael na Esquadra de Pombal da PSP. Ao que parece o pobre telemóvel desaparecido, desgostoso por Michael não ter tomado todas as providências e ter ido ao fim do mundo para o encontrar, voltou para o tramar.
Passando a descrever a trama: X assalta mais uma vítima (chamemos-lhe "Zé") na sua caminhada de terror pelo maravilhoso mundo da delinquência. Porém, dotado de testículos bem mais recheados que os de Michael, Zé resiste, corre, luta, e consegue valoroso prémio: a mala/pochette de X (referência para o uso da palavra pochette e ainda para o facto de X, apesar de bandido, usar tal acessório de moda, não pela relevância de tais factos, só mesmo pelo quanto são divertidos). Mas adiante. Na mala/pochette de X, Zé encontra um objecto, a saber, o ex-telemóvel de Michael. Zé apresente queixa. Zé é um indivíduo exigente. Insatisfeito com o troféu que conseguiu, pretende mais. Pretende apanhar não só a mala/pochette de X, quer X numa travessa a gritar misericórdia. Na sequência da investigação promovida pelo CSI à portuguesa, chega-se à conclusão que o telemóvel encontrado está no nome de Michael.
Turn-over na trama! Os investigadores do CSI da PSP suspeitam que X e Michael Lopes são uma e a mesma pessoa. Conclusão fácil de compreeder.
  • A mala/pochette encontrada é de X.
  • O telemóvel amaldiçoado está na mala/pochette.
  • Logo, o telemóvel é de X.

No entanto, a vida real é, infelizmente, muitíssimo mais complexa. Michael é chamado a depôr. Primeiro na qualidade de testemunha. Mas na cabeça do agente que conduz a entrevista (chamemos-lhe desta feita "Agente Marcelo") a situação é clara: à sua frente irá surgir-lhe perigoso fora-da-lei, um indivíduo sem sentimentos, que dedica a sua vida ao crime, entre dois goles de whisky e noites tórridas de sexo com mulheres de seios torneados, atraídas pela adrenalina da vida deste. E depois aparece Michael. A desilusão é óbvia, estampada na cara de Agente Marcelo. Ou os bandidos modernos têm um metro e sessente e pouco, ou esta vai ser uma tarde monótona. A suspeita cai por terra. Ou por X ter 20 e tal processos em aberto, ou por Michael ter imediatamente pedido piedade e ter justificado o brutal assassinato das melgas que povoam a sua morada com o picotado que preenche o seu corpo e lhe provoca uma terrível comichão. Adiante. Gorada a hipótese de brincar aos polícias a sério, com murros na mesa e em Michael numa sala sem janelas, Agente Marcelo começa a preencher o depoimento. Luta por conseguir traduzir em palavras o que o relato mirambolesco que Michael partilha com ele lhe sugere. Terminadas as formalidades, Michael despede-se de Agente Marcelo com um aperto de mão e a certeza de um reencontro com semelhante figura de autoridade em Coimbra, onde o mítico assalto ocorreu.

Michael sai da esquadra. Os seus membros tremem. A sua primeira vez com o sistema judicial foi tão intenso quanto sonhara. É testemunha num Processo-Crime. E ao ritmo a que pula e avança a Justiça do país em que vive, mais capítulos povoarão o futuro de Michael na sequência do já badalado Crime do Avenida na Sá da Bandeira.

Enfim, acontece-me tudo...

18/08/2009

As Máscaras

É difícil definir-se. É fácil a análise forasteira. É difícil vestir a pele que de nós esperam e estar à altura dela, seja ela qual for. Todos nos disfarçamos. Ninguém é genuíno. O disfarce que vestimos é um fardo. Torna-se aquilo que somos sem nunca o sermos. E nunca mais pode ser despido. Todos os dias o vestimos e tentamos torná-lo o mais perfeito possível. Espera-se de nós que ele seja cada vez mais trabalhado. Mas porquê? Seria tão mais fácil podermos ser nós mesmos, sem máscaras, sem nada. Mas será possível? A vida é um reles truque de ilusionismo. Tentamos ser todos mais bonitos e correctos que realmente somos. Mas qualquer ilusão só existe até se desvendar o seu segredo. E com o tempo a ilusão cai. Todos caímos. Todos temos fraquezas e elas acabam sempre se mostrar. Basta olhar com atenção. E perdemos o mistério. Qualquer piada só tem relamente graça uma vez. Quanto mais recorrente, mais gasta. E a cada dia nos gastamos. Aos nossos olhos, que são sempre os que mais abarcam, e inevitavelmente aos dos outros. Perdemos o encanto do primeiro dia, tornamo-nos repetitivos e vulgares. Tornamo-nos previsíveis e perdemos o encanto. O nosso nome passa a ser mais um e não o nome. Tentamos tornar-nos únicos e passamos a vida a sublinhar que somos irrepetíveis. Mas a verdade é que somos todos iguais. Inventamos línguas, credos e regras para nos diferenciarmos quando na verdade, despidos de tudo, nada nos distingue. Fazemos as mesmas coisas. Somos rotineiros. Tirando todas as máscaras todos somos iguais. O rico come, o belo bebe. O pobre e o feio idem. Da mesma forma ridícula, seja com as mãos ou com talheres de prata. Da boca para a frente o caminho é o mesmo e nos dois acaba em merda. Inventamos palavras para nos afastarmos e sermos o mais exclusivos possíveis. O rico tem uma mansão, o pobre uma barraca. Mas em última instância, ambas servem o mesmo prepósito. Todos morremos e acabamos comidos pela terra. Com a mesma dignidade (ou falta dela). Duvido que os bichos tenham o cuidado de saborear melhor a carne do geneticamente abençoado do que a do fisicamente repugnante. Não sabendo muito bem como acabar o que sabe-se lá como começou, talvez um ponto final sirva.

22/07/2009

Sensodyne

Sensodyne. Recomendado por Dentistas.

É que neste anúncio televisivo nem se dão ao trabalho de pôr aquelas estatísticas dos 8 em 10 dentistas ou assim. Não. Só mesmo Recomendado por Dentistas. Isto dá um bocado a sensação que o facto de serem dentistas a recomendar é irrelevante. Que um 'Sensodyne. Recomendado por Mecânicos Chapeiros.' ou um 'Sensodyne. Recomendado por Astronautas.' encaixava igualmente na perfeição (quarenta anos da alunagem em Julho de 1969!). Se bem que às tantas é capaz de resultar melhor que os dos 9 em 10 médicos ou farmacêuticos. Porque a mim, esses anúncios deixam-me a pensar é no que o décimo inquirido viu no produto que inviabilizou o seu apoio...
É, é capaz de ser melhor dizer só Recomendado por Dentistas. Nem que seja o dentista lá da esquina que mora na Carrapichana e dá consultas num terceiro andar abaixo do rés-do-chão, numa cave sem saneamento. Já venho, vou comprar um tubinho de Sensodyne Pró-Esmalte. Até logo.


14/07/2009

A Ironia dos Jogos da Lusofonia

Enquanto praticava o desporto mais famoso do mundo sedentário - o zapping - e passei pela RTP1, estava a passar o jogo Portugal X Moçambique, relativo à 2ª jornada do torneio de futebol da 2ª edição dos Jogos da Lusofonia, competição que visa premiar os melhores talentos desportivos do mundo lusófono. Não pude, todavia, deixar de reparar que no canto superior esquerdo da televisão, onde se exibe o estado do marcador do jogo, bem como o esgotar do tempo de jogo, se lia o seguinte:

  • POR 0 - 0 MOZ 64:29

Ora, o que me causou mais estranheza não foi o facto de a selecção portuguesa (ainda que de sub-21) continuasse sem marcar golos ao segundo jogo, após defrontar duas potências futebolísticas mundiais, a saber, Cabo Verde (com quem perdeu 1-0) e Moçambique, nem tão pouco o facto de na equipa portuguese pontificarem nomes como o guarda-redes Trigueira, o central Bura ou o avançado Licá. Não. O que me deixou maravilhado, foi o facto de no marcador aparecer MOZ como abreviatura de Moçambique. Nuns jogos de exaltação do mundo lusófono, é curioso que o nome de um país apareça com a respectiva abreviatura inglesa.

Fica o reparo. Daqui a três anos podiam chamar à competição Lusofonic Games 2012 ou qualquer coisa do género.

13/07/2009

O Dente do Siso

Sim, caros (3) leitores. Está neste preciso momento a crescer-me o dente do siso, desabrochando lentamente como as coisas importantes, rupturando sem dó o meu frágil maxilar. Este simples (e doloroso) facto trouxe-me ao vosso convívio. Mesmo quando começei a pensar que me livrara de dentes a cair e afins (que muita chatice dão nos 10 aninhos), aparece-me este bandido a gritar "Pensavas que não vinha, né?". Mas veio mesmo.

De qualquer forma este post é de cariz meramente informativo, uma vez que aprecio partilhar estas pequenas preciosidades do meu dia-a-dia, como este culminar da minha transição do mundo dos adolescentes ao mundo dos jovens-adultos (nome bonito, já agora, muito numa de 'nãooo, ainda não sou adulto! Sou jovem-adulto! A ver se consigo prolongar estes anitos mais um bocadito...').

Ficam só umas fantásticas a valiosas curiosidades sobre este dentinho lindo, do siso, ou pomposamente, terceiro molar.

  • Com a cada vez mais diminuta necessidade de usar os dentes para cortar alimentos devido à criação de utensílios de corte, estes dentes encontram-se em vias de extinção, tendo sido muito útil, todavia, ao Homem pré-histórico;
  • A arcada maxilar tem vindo a diminuir de tamanho devido à inutilidade deste dente falhado, causando o seu aparecimento problemas às pessoas fixes e crescidas a quem ele aparece (como eu) porque:
  1. Empurra os outros dentinhos, uma vez que, como qualquer molar, quer o seu espacinho;
  2. Se encontra em local de difícil higienização pudendo causar infecções.

Para evitar os problemas acima descritos, impõe-se um problema maior ainda, que implica arrancar este dentinho malfadado, o que, efectivamente, dói. E a dor provoca-me sofrimento. E eu não gosto de sofrer. Logo não gosto do meu (ainda singular) dente do siso. Premissas verdadeiras, conclusão acertada!

E pronto. Era isto que queria dizer. Bem-hajam, caros visitantes.

P.S.: Atentem na mudança do provérbio popular no canto superior direito, que me parece de assinalável verdade.

19/06/2009

Uma Fotografia

Hoje dei por mim a fazer uma revista dos últimos quatro anos da minha vida. Dei por mim a ver fotos que já não via quase há tanto tempo quanto elas têm de vida. Por mais cliché que possa parecer, e é, o tempo passa a correr. Mas o que realmente me motivou a escrever mais este breve texto é o poder da fotografia. É inacreditável como uns míseros píxeis (ou lá do que raio são compostas as fotos), organizados com exclusiva preocupação de, com as suas cores, retratar fielmente o momento em que o 'click' se deu podem despertar tantos sentimentos. Ao rever cada uma daquelas fotos ri-me, senti-me nostálgico, senti o peso do tempo passado, senti que cresci e estou diferente. Senti cada foto (que ao fim e ao cabo é uma coisa) da mesma forma que senti aqueles momentos, com a mesma emoção. Senti, obviamente, saudade. Senti que tenho os melhores amigos do mundo.


Comemorando-se hoje o Baile de Gala da Escola Secundária de Pombal, fica a recordação, em 2007, foi assim, e foi muito bom. (Na foto, Diogo Martins, Michael Lopes, Rui Gameiro, Class of 07!)

15/06/2009

Estudar

Estava a estudar, e como é óbvio, nesses momentos o meu espírito pode estar em qualquer sítio excepto no sítio onde devia estar: concentrado nos livrinhos que estão à minha frente. E num desses momentos de singela reflexão cheguei à conclusão que o estudo me prostitui. Sempre que acordo e penso que tenho que estudar, sinto me deveras fodido e quando vou para a cama depois de um dia de estudo, mais fodido me sinto. Concluindo, em época de exames, estou sistematicamente fodido, que nem uma bela puta. Fica a reflexão! :)